Uma geração sobre o domínio do heavy metal
Por Alexandre Melo, jornalista
PUBLICADO NO JORNAL METAS (GASPAR/sc), EDIÇÃO DE 02/04/2011
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| Foto/Divulgação |
Escrever sobre um tema o qual não se tem afinidade é um dos
maiores desafios na vida de um jornalista. Muitos colegas torcem o nariz quando
o editor passa uma pauta “enrascada”. Agora, quando se senta na frente do
computador para escrever sobre um tema que se tem profunda simpatia, o texto
flui com emoção e tudo fica mais fácil. Foi assim essa semana quando acordei e
decidi escrever sobre heavy metal.
Não tão jovem quanto o tema, o desafio se tornou, para mim,
ainda mais difícil, afinal, foi preciso entrar na cápsula do tempo para
relembrar algumas das bandas e seus hits que embalaram meus doces anos de
juventude. Ainda curto muito heavy metal, e admito que o solo “esganiçado” das
guitarras soa aos meus ouvidos como uma sinfonia de Bethoven. Uma terapia
musical após um dia de trabalho.
Mas vamos ao que interessa. A passagem de dois ícones do
heavy metal pelo Brasil essa semana, o sessentão Ozzy Osbourne (ex-Black
Sabbath) e a banda Iron Maiden, despertou nesse metaleiro quase aposentado uma
enorme vontade de escrever sobre o mais radical estilo musical da história. E
foi juntando informações aqui e ali que reuni fragmentos da história.
A primeira lição é não confundir rock’n roll com heavy
metal. O rock’n roll é o “pai de tudo”. É o gênero musical, popularizado na década
de 1950 por Elvis Presley, que estourou na década seguinte com The Beatles. O
metal é mais recente. Surgiu, oficialmente, em meados dos anos 1970, na
Inglaterra, e se espalhou pelo mundo a partir de 1980. Há quem defenda, e sou
um deles, que os primeiros acordes das guitarras metálicas soaram ainda na
década de 1960.
O heavy metal é um desmembramento do rock, uma música “ácida”
com letras incompreensíveis, um barulho harmonioso e muita performance de
palco. Antes de o heavy metal explodir, alguns precursores de destacaram: Jimi
Hendrix, Janis Joplin e as bandas The Who, Deep Purple, Uriah Heep, VDO, Jethro
Tull, The Kings e o próprio Pink Floyd, com um estilo de rock metálico
progressivo. Prefiro não incluir Rolling Stones.
Afirmam alguns historiadores que a Black Sabbath é a
primeira banda de heavy metal do mundo. Outros consideram Led Zeppelin e Depp
Purple como os pais do estilo. A Black Sabbath foi a primeira banda a fazer um
álbum completo e cheio de riffs complexos, acordes pesados e solos longos.
Independente de quem seja o criador da criatura, a verdade é que essas bandas
ainda são cultuadas no mundo, basta ver o público dos shows do Ozzy e do Iron
Maiden.
No início dos anos 1970, a geração Woodstock, que pretendia
mudar o mundo na base da paz, do amor, do LSD e do cigarrinho de maconha
começou a dar lugar a outra que defendia o radicalismo por meio de uma música
mais agressiva em termos de volume, machismo (as bandas eram todas formadas por
homens) e performance de palco. Os vocais eram incompreensíveis e os solos de
guitarra plasticamente infernais.
Na música metal, se vai do som pesado ao lento várias vezes,
e quem melhor fazia essa passagem era a banda inglesa Led Zeppelin em canções
marcantes com Baby I’m Gonna Leave You, Black Dog e a emotiva Starway to Heaven.
Difícil era encontrar conectividade nas letras das canções,
porém os instrumentos e a performance de palco sustentavam o espetáculo. Aliás,
todo o bom metaleiro quebrava sua guitarra ao final do show.
O heavy metal suscitou grandes temas da contracultura da época
como o comunismo, religiões opressoras, guerras, sexo e, claro, drogas, muita
droga. Havia a necessidade naquele momento de se quebrar paradigmas.
A juventude passou a conhecer o lado obscuro da humanidade.
Para os mais conservadores, tudo não passava de um “pacto com o demônio”, e
motivos não faltavam para se pensar assim. Em Highway to Hell (Autoestrada para
o Inferno), do AC/DC, a letra diz: Ei Satanás! Paguei minhas dívidas tocando em
uma banda de rock’n roll.
E as loucuras não param por aí. Ozzy chegou a morder um
morcego vivo no palco. Angus Young guitarrista do AC/DC, passava um show
inteiro correndo e pulando no palco. Drogas? A vestimenta escolar da banda dava
ares infantis às estripulias e levava o público ao delírio. Exagero à parte, eu
prefiro falar em psicodelismo. Grandes vocalistas nunca faltaram no heavy
metal, e cito os da minha preferência: Ian Gillan (Deep Purple), Dave
Covardale (Deep Purple), Roberto Plant (Led Zeppelin), para mim, o melhor,
Roger Waters (Pink Floyd), Ozzy Osbourne (Black Sabbath) e Bon Scott (AC/DC).
No heavy metal, as músicas são também um louvor aos “deuses do metal” (ou será
do mal?), como forma de mostrar fidelidade ao estilo. Quem é metaleiro não ouve
outra coisa sob pena de ser banido da irmandade. Penso que fiquei no
purgatório.
Um estilo puxa o outro
Nada sobrevive sozinho no rock’n roll. A partir do heavy
metal outros estilos musicais ou subgêneros surgiram. A lista é grande: black
metal, death metal, doom metal, folk metal, grove metal, power metal, prog
metal, speed metal, trash metal e gothic metal, entre outros. Um dos pontos
interessantes do heavy metal é o público. Pessoas que se unem a uma enorme
adoração. Elas não reconhecem outros gêneros e estilos. Um público marcado por
roupas pretas, cabelos longos, correntes na cintura, unhas e rostos pintados
como se fossem para uma guerra contra a sociedade. E não iam?
No Brasil
O Brasil não ficou de fora da febre do metal, e muitas
bandas surgiram na época. Entre elas, podemos destacar duas. Angra (metal
melódico) e Sepultura (trash metal), esta última grande sucesso até os dias de
hoje. A febre do metal no Brasil coincidiu com a reabertura política. O estilo
agressivo e despojado de preconceitos dos metaleiros influenciou toda uma
geração. Essa contracultura teve lá seu preço, as drogas se misturaram ao mundo
metal. E o rótulo ficou: “quem gosta de heavy metal é viciado em drogas”.
Porém, havia, sim, admirados do heavy metal que participaram dessa
efervescência sóciomusical apenas curtindo a arte de um grande estilo musical,
sem exageros e radicalismos.
Origem militar
O termo heavy metal é polêmico, e muitos pesquisadores não
sabem precisar quando ele surgiu. É possível que nem tenha relação com a
música. A expressão “heavy metal” tinha um significado militar e científico, e
a sua utilização é constatada com freqüência em diversos estudos de décadas
anteriores à explosão do estilo musical.
No início dos anos 1930, a expressão foi cunhada para denominar
armas de longo alcance e precisão. Porém, segundo Willian Morris, autor de “The
Dictionary of Word and Phrase Origins”, o sentido dado ia além e tratava de
tanques de guerra considerados então as sensações em aspectos tecnológicos.
Para quem tem interesse em saber mais sobre a história do heay metal, a dica é assistir ao documentário “Metal: Uma Jornada pelo mundo do Heavy Metal (2005). Outra dica é o filme Rock Star (2001) que conta história de uma das mais polêmicas bandas de heavy metal, a Judas Priest. O grupo chegou a processar o produtor do filme, Sthephen Herke, por entender que essa não é a história da banda.
Para quem tem interesse em saber mais sobre a história do heay metal, a dica é assistir ao documentário “Metal: Uma Jornada pelo mundo do Heavy Metal (2005). Outra dica é o filme Rock Star (2001) que conta história de uma das mais polêmicas bandas de heavy metal, a Judas Priest. O grupo chegou a processar o produtor do filme, Sthephen Herke, por entender que essa não é a história da banda.
