12 de nov. de 2010

MEC nota zero

Como acreditar que a educação no Brasil vai melhorar se as pessoas que estão no comando do órgão máximo do ensino no Brasil, o Ministério da Educação (MEC), não conseguem produzir, sem falhas, um concurso da importância do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio. Educação é coisa séria; é o bem imaterial mais importante de uma nação. Portanto, não se coloca as decisões nas mãos de pessoas simplesmente porque elas estão politicamente alinhadas ao governo. Este, aliás, é o grande mal da administração pública.
O que se viu na prova do Enem 2010 foi um conjunto de trapalhadas que beiram as raias do ridículo, do despreparo, da falta de conhecimento e de responsabilidade que em nada condizem com a posição que o Brasil almeja no cenário internacional. 
A culpa pelos erros grosseiros na prova do Enem, se diz, é de quem imprimiu as provas, porém os maiores culpados estão nos gabinetes do MEC, em Brasília. Em nenhum momento essas pessoas se preocuparam em fiscalizar ou delegar a seus assessores o controle rigoroso sobre a qualidade do material que estava sendo preparado, deixou-se nas mãos da empresa terceirizada a responsabilidade pela impressão e distribuição das provas que foram entregues a milhares de estudantes que participaram do concurso. Isto sem falar da segurança, já que existem fortes indícios de que houve, novamente, quebra de sigilo. 
Mesmo sabendo da importância que o concurso representa na vida dos estudantes, as pessoas do MEC não se preocuparam com simples detalhes, como ler e reler o material produzido. Decididamente não estamos falando de um concurso qualquer, mas do futuro do Brasil que começa, para a maioria dos jovens, com o ingresso em uma universidade. 
No seu mais recente comentário, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que apenas 200 estudantes haviam sido prejudicados, ao mesmo tempo em que anunciou que pedirá desculpas à nação pelos erros do Enem. Um contraditório, pois se foram apenas 200 num universo de milhões, os problemas não foram assim tão graves como se percebe. Na verdade, o ministro tenta confundir a opinião pública. A sociedade quer respostas para tamanha incompetência e a revisão da metodologia de elaboração das provas.
Artigo publicado na edição de sábado (13/11) do Jornal Metas, página 2

7 de nov. de 2010

A ponte

A interferência da Justiça no caso da ponte Hercílio Deeke mostra o quando o poder público é omisso na defesa dos interesses do cidadão. Há quase uma década, Gaspar se debate contra um problema extremamente grave. Se a ponte for mesmo interditada, inclusive para a passagem de pedestres, vai gerar um enorme problema social, como o desemprego e a transferência de muitas empresas para outros municípios. Com sua estrutura comprometida, a ponte já se configura em uma situação extremamente grave, assim como é o trânsito da região central da cidade. O prefeito, Celso Zuchi, e seus assessores deveriam trabalhar para que fosse instaurado o estado de calamidade pública na cidade. Somente assim, as autoridades federais iriam se sensibilizar e liberar os tão propagados recursos para restaurar a combalida Hercílio Deeke. Ao invés disso, empurraram o problema com a barriga, anunciaram obras gigantescas, como a construção da Ponte de Vale. Esta não é a nossa prioridade. Não queremos uma ponte asfaltada, com ciclovia e quatro pistas. Queremos, na nossa humildade de um povo preterido em praticamente tudo nos últimos anos, uma simples pontezinha, um pontilhão que seja para que possamos atravessar com segurança, levando nossos filhos e o progresso de um lado a outro, mais nada do que isso. Chega de fantasias, de projetos faraônicos. Queremos de volta a nossa ponte.(Editorial escrito para o Jornal Metas em 06/11/2010