Como acreditar que a educação no Brasil vai melhorar se as pessoas
que estão no comando do órgão máximo do ensino no Brasil, o Ministério
da Educação (MEC), não conseguem produzir, sem falhas, um concurso da
importância do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio. Educação é coisa
séria; é o bem imaterial mais importante de uma nação. Portanto, não se
coloca as decisões nas mãos de pessoas simplesmente porque elas estão
politicamente alinhadas ao governo. Este, aliás, é o grande mal da
administração pública.
O que se viu na prova do Enem 2010 foi um conjunto de trapalhadas
que beiram as raias do ridículo, do despreparo, da falta de conhecimento
e de responsabilidade que em nada condizem com a posição que o Brasil
almeja no cenário internacional.
A culpa pelos erros grosseiros na prova do Enem, se diz, é de quem
imprimiu as provas, porém os maiores culpados estão nos gabinetes do
MEC, em Brasília. Em nenhum momento essas pessoas se preocuparam em
fiscalizar ou delegar a seus assessores o controle rigoroso sobre a
qualidade do material que estava sendo preparado, deixou-se nas mãos da
empresa terceirizada a responsabilidade pela impressão e distribuição
das provas que foram entregues a milhares de estudantes que participaram
do concurso. Isto sem falar da segurança, já que existem fortes
indícios de que houve, novamente, quebra de sigilo.
Mesmo sabendo da importância que o concurso representa na vida dos
estudantes, as pessoas do MEC não se preocuparam com simples detalhes,
como ler e reler o material produzido. Decididamente não estamos falando
de um concurso qualquer, mas do futuro do Brasil que começa, para a
maioria dos jovens, com o ingresso em uma universidade.
No seu mais recente comentário, o Ministro da Educação, Fernando
Haddad, afirmou que apenas 200 estudantes haviam sido prejudicados, ao
mesmo tempo em que anunciou que pedirá desculpas à nação pelos erros do
Enem. Um contraditório, pois se foram apenas 200 num universo de
milhões, os problemas não foram assim tão graves como se percebe. Na
verdade, o ministro tenta confundir a opinião pública. A sociedade quer
respostas para tamanha incompetência e a revisão da metodologia de
elaboração das provas.
Artigo publicado na edição de sábado (13/11) do Jornal Metas, página 2