Passada a eleição, é o momento de refletirmos mais sobre o
papel do presidente da República em uma campanha eleitoral. Existe uma lei que
limita a participação de pessoas que ocupam cargos eletivos na campanha
eleitoral. Essa lei deveria valor para todos, porém o presidente Lula usou e
abusou da máquina administrativa para fazer campanha para a sua candidata,
Dilma Roussef. Para começar, Lula aproveitou as viagens oficiais no avião
presidencial, para dar uma esticada a cidades vizinhas e participar de comícios
da sua candidata. Um exemplo foi quando esteve em Joinville. Outra postura
reprovável do presidente, foram seus discursos inflamados contra seus
adversários, que teve como maior repercussão a sugestão de que o DEM, partido
Democratas, fosse varrido da política brasileira. Essa não é a postura de um
presidente da República. Lula deveria ter sido mais comedido em suas falas e
nas suas viagens. Se existe uma lei, aprovada pelo Congresso limitando a
participação de quem ocupa cargos públicos, ela deve ser respeitada por todos.
Sem Censura Opina é uma bunker virtual criado para que as pessoas expressem suas opiniões de maneira imparcial e democrática sobre os mais diversos temas. Todos os artigos publicados passam por avaliação prévia deste blogueiro, não permitindo quaisquer discriminação de cor, raça e credo, bem como ofensas a pessoas e instituições públicas e privadas.
31 de out. de 2010
28 de out. de 2010
Discursos vazios
As campanhas institucionais pedem que o eleitor vote com a consciência. Isto significa votar com ética. Mas não a ética que se procura
enfiar goela abaixo em época de propaganda eleitoral. A ética do discernimento entre a verdade e o oportunismo eleitoral. A campanha eleitoral deveria
ser utilizada para o debate de idéias e propostas para
um Brasil melhor, mais justo e humano.
No entanto, desde
que foi deflagrada a campanha do segundo turno da eleição presidencial as
acusações passaram a dominar os debates. Isto em nada contribui para a democracia, só afasta eleitor das urnas.
A candidata do PT, Dilma Roussef, apadrinhada do Presidente Lula e lidera das pesquisas é o principal alvo. José Serra busca diminuir a diferença por meio de acusações que vão desde aproveitar declarações infelizes da
candidata, num passado recente, da sua descrença em Deus, passando pelo apoio à
liberalização do aborto até o envolvimento da petista em um possível esquema de
corrupção liderado pela sua ex-secretária, Erenice Guerra. Por muito menos, Lula perdeu a sua primeira eleição em 1989. Vinte anos depois, o perfil do eleitor brasileiro mudou. Ele está mais politizado e vacinado contra este tipo de estratégia.
Por outro lado, o
bolsa-família, programa eleitoreiro e casuístico do atual governo, tem sido
para muitos analistas políticos, a blindagem contra tos ataques a candidata petista vem sofrendo. Mas será que um programa assistencialista tem força para decidir uma eleição presidencial numa das dez maiores economias do mundo? Sim, mas por culpa do adversário que tem se preocupado muito mais em desqualificar sua adversária do que apresentar propostas para os grandes problemas do Brasil. O eleitor vai às urnas no próximo
domingo, e vai dizer se essa não é mais uma tese eleitoreira conspiratória.
12 de out. de 2010
A oposição que não sabe ser oposição
"A triste verdade sobre as próximas eleições
no Brasil é que não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém se
importa se Dilma Roussef tenha assassinado ou roubado. É apenas o populismo na
forma mais cruel. Ela é a senhora Lula. Os pobres se beneficiaram um
pouco do fim da inflação, e se esqueceram que esta situação foi herdada por
Lula". (o primeiro parágrafo do editorial de um jornal canadense às
vésperas do primeiro turno das eleições de 2010 no Brasil.)
Vinda de um jornal comprometido com um sistema imperialista, que nos últimos 70 anos adotou uma política internacional de
domínio e de invasão da soberania nacional, impedindo o desenvolvimento de
várias nações, nada mais normal. Os países do primeiro bloco monitoram o crescimento
de todas as economias emergentes, entre elas a do Brasil. Felizmente, a despeito de todos os equívocos
cometidos, o Brasil tem avançado em vários indicadores sociais e econômicos. As nossas
taxas de crescimento batem na casa de 4% ao ano. Isto incomoda os países ricos. O FMI não e mais o
nosso calcanhar de Aquiles. Seus economistas já não podem mais dizer o que devemos
fazer com as nossas riquezas. A enorme dívida externa brasileira está paga
(começou a ser paga no governo FHC e se concluiu nos dois governos Lula). O
superávit da balança comercial brasileira tem se mantido em um saldo satisfatório. O Pré-sal é uma realidade assustadora aos
observadores internacionais.
Há cinco anos, os Estados Unidos viveram uma das piores crises
econômicas da sua história, e o Brasil não sucumbiu à quebradeira geral das grandes empresas multinacionais. Essa mudança nas relações internacionais do Brasil com os países do primeiro mundo preocupam os Estados Unidos e
seus aliados.
Dilma Roussef está longe de ser a melhor solução para o
Brasil, não tem experiência administrativa, é prepotente e rancorosa. O próprio PT tem sérias restrições ao seu nome. No entanto, não é a candidatura de Dilma que
devemos lamentar neste momento que as pesquisas voltam a apontar para uma vitória da candidata do PT também no
segundo turno das eleições,. Devemos, sim, lamentar a oposição que nunca soube ser oposição nos
últimos oito anos. Mais uma vez faltou inteligência e um nome com ideias inovadoras
para o Brasil do futuro. José Serra significa muito mais uma mudança política
do que a de conceito de governo. Em recente debate na TV
Bandeirantes, Serra preferiu o confronto pessoal com a candidata petista, quando deveria
ter usado o precioso tempo e a audiência do telespectador para apresentar o seu
plano de governo. Serra ainda não apresentou a fórmula mágica para
aumentar o salário-mínimo para R$ 600,00 e ainda dar um aumento real aos
aposentados. Serra também diz que vai
manter os programas assistencialistas do Governo Lula, e vai ainda criar o
bolsa-saúde. O candidato rtucano é tão populista quanto o atual governante. Serra
não é o líder que vai dar uma nova cara ao Brasil. É atrelado ao passado e comprometido com forças políticas
conservadoras. Sem um candidato forte do lado
governista, a oposição teve a oportunidade de voltar ao poder e a desperdiçou. O erro pode valer mais 12 anos de governo petista.
A crise da falta de espaço
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| Foto Divulgação |
A grande crise do final deste século será a da falta de espaço. A população mundial cresce rapidamente. Se há 30 ou 40 anos, a expectativa de vida do brasileiro era de 65 anos, hoje, com os recursos da medicina, a média de vida pode já ter ultrapassado 70 anos. Com menos gente morrendo, felizmente, sobra menos espaço para nos movimentarmos nas cidades. As alternativas, tanto em países desenvolvidos quanto nos subdesenvolvidos são bastante tímidas diante do agravamento do problema.
No Brasil, a falta de espaço já se observa em cidades de médio porte. A grande questão é onde buscar recursos financeiros para investir na abertura de espaço nas cidades brasileiras, a maioria delas mal planeada. Os investimentos para solucionar o problema do trânsito de São Paulo são elevados. Todavia, os governos precisam começar a planejar um futuro sem espaço nas cidades.
O Brasil é um caso típico de país de dimensões continentais, porém com uma população mal distribuída. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste, onde estão as maiores oportunidades de emprego, se concentra quase 70% da população do país, na região Norte sobra espaço. Lógico que a ocupação do Norte do Brasil só não se intensificou na metade da década de 1970 para cá porque o governo não fez chegar a infraestrutura necessária de saneamento e acesso viário. Hoje o principal meio de transporte da população menos favorecida do Norte do Brasil é o barco, enquanto os ricos se deslocam de avião. Portanto, enquanto os governos não olharem com mais carinho para a questão da falta de espaço nas médias e grandes cidades brasileiras, a tendência é que a crise se agrave e o remédio curativo poderá ser mais oneroso que o preventivo.
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