28 de out. de 2010

Discursos vazios



As campanhas institucionais pedem que o eleitor vote com a consciência. Isto significa votar com ética. Mas não a ética que se procura enfiar goela abaixo em época de propaganda eleitoral. A ética do discernimento entre a verdade e o oportunismo eleitoral. A campanha eleitoral deveria ser utilizada para o  debate de idéias e propostas para um Brasil melhor, mais justo e humano. 
No entanto, desde que foi deflagrada a campanha do segundo turno da eleição presidencial as acusações passaram a dominar os debates. Isto em nada contribui para a democracia, só afasta eleitor das urnas.
A candidata do PT, Dilma Roussef, apadrinhada do Presidente Lula e lidera das pesquisas é o principal alvo. José Serra busca diminuir a diferença por meio de acusações que vão desde aproveitar declarações infelizes da candidata, num passado recente, da sua descrença em Deus, passando pelo apoio à liberalização do aborto até o  envolvimento  da petista em um possível esquema de corrupção liderado pela sua ex-secretária, Erenice Guerra. Por muito menos, Lula perdeu a sua primeira eleição em 1989. Vinte anos depois, o perfil do eleitor brasileiro mudou. Ele está mais politizado e vacinado contra este tipo de estratégia.
Por outro lado, o bolsa-família, programa eleitoreiro e casuístico do atual governo, tem sido para muitos analistas políticos, a blindagem contra tos ataques a candidata petista vem sofrendo. Mas será que um programa assistencialista tem força para decidir uma eleição presidencial numa das dez maiores economias do mundo? Sim, mas por culpa do adversário que  tem se preocupado muito mais em desqualificar sua adversária do que apresentar  propostas para os grandes problemas do Brasil. O eleitor vai às urnas no próximo domingo, e vai dizer se essa não é mais uma tese eleitoreira conspiratória.