31 de out. de 2010

Respeito à Lei Eleitoral


Passada a eleição, é o momento de refletirmos mais sobre o papel do presidente da República em uma campanha eleitoral. Existe uma lei que limita a participação de pessoas que ocupam cargos eletivos na campanha eleitoral. Essa lei deveria valor para todos, porém o presidente Lula usou e abusou da máquina administrativa para fazer campanha para a sua candidata, Dilma Roussef. Para começar, Lula aproveitou as viagens oficiais no avião presidencial, para dar uma esticada a cidades vizinhas e participar de comícios da sua candidata. Um exemplo foi quando esteve em Joinville. Outra postura reprovável do presidente, foram seus discursos inflamados contra seus adversários, que teve como maior repercussão a sugestão de que o DEM, partido Democratas, fosse varrido da política brasileira. Essa não é a postura de um presidente da República. Lula deveria ter sido mais comedido em suas falas e nas suas viagens. Se existe uma lei, aprovada pelo Congresso limitando a participação de quem ocupa cargos públicos, ela deve ser respeitada por todos.  

28 de out. de 2010

Discursos vazios



As campanhas institucionais pedem que o eleitor vote com a consciência. Isto significa votar com ética. Mas não a ética que se procura enfiar goela abaixo em época de propaganda eleitoral. A ética do discernimento entre a verdade e o oportunismo eleitoral. A campanha eleitoral deveria ser utilizada para o  debate de idéias e propostas para um Brasil melhor, mais justo e humano. 
No entanto, desde que foi deflagrada a campanha do segundo turno da eleição presidencial as acusações passaram a dominar os debates. Isto em nada contribui para a democracia, só afasta eleitor das urnas.
A candidata do PT, Dilma Roussef, apadrinhada do Presidente Lula e lidera das pesquisas é o principal alvo. José Serra busca diminuir a diferença por meio de acusações que vão desde aproveitar declarações infelizes da candidata, num passado recente, da sua descrença em Deus, passando pelo apoio à liberalização do aborto até o  envolvimento  da petista em um possível esquema de corrupção liderado pela sua ex-secretária, Erenice Guerra. Por muito menos, Lula perdeu a sua primeira eleição em 1989. Vinte anos depois, o perfil do eleitor brasileiro mudou. Ele está mais politizado e vacinado contra este tipo de estratégia.
Por outro lado, o bolsa-família, programa eleitoreiro e casuístico do atual governo, tem sido para muitos analistas políticos, a blindagem contra tos ataques a candidata petista vem sofrendo. Mas será que um programa assistencialista tem força para decidir uma eleição presidencial numa das dez maiores economias do mundo? Sim, mas por culpa do adversário que  tem se preocupado muito mais em desqualificar sua adversária do que apresentar  propostas para os grandes problemas do Brasil. O eleitor vai às urnas no próximo domingo, e vai dizer se essa não é mais uma tese eleitoreira conspiratória.

12 de out. de 2010

A oposição que não sabe ser oposição


"A triste verdade sobre as próximas eleições no Brasil é que não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém se importa se Dilma Roussef tenha assassinado ou roubado.  É apenas o populismo na forma mais cruel. Ela é a senhora Lula.  Os pobres se beneficiaram um pouco do fim da inflação, e se esqueceram que esta situação foi herdada por Lula". (o primeiro parágrafo do editorial de um jornal canadense às vésperas do primeiro turno das eleições de 2010 no Brasil.)


Vinda de um jornal comprometido com um sistema imperialista, que nos últimos 70 anos adotou uma política internacional de domínio e de invasão da soberania nacional, impedindo o desenvolvimento de várias nações, nada mais normal. Os países do primeiro bloco monitoram o crescimento de todas as economias emergentes, entre elas a do Brasil. Felizmente, a despeito de todos os equívocos cometidos, o Brasil tem avançado em vários indicadores sociais e econômicos. As nossas taxas de crescimento batem na casa de 4% ao ano. Isto incomoda os países ricos. O FMI não e mais o nosso calcanhar de Aquiles. Seus economistas já não podem mais dizer o que devemos fazer com as nossas riquezas. A enorme dívida externa brasileira está paga (começou a ser paga no governo FHC e se concluiu nos dois governos Lula). O superávit da balança comercial brasileira tem se mantido em um saldo satisfatório. O Pré-sal é uma realidade assustadora aos observadores internacionais.
Há cinco anos, os Estados Unidos viveram uma das piores crises econômicas da sua história, e o Brasil não sucumbiu à quebradeira geral das grandes empresas multinacionais. Essa mudança nas relações internacionais do Brasil com os países do primeiro mundo preocupam os Estados Unidos e seus aliados.
Dilma Roussef está longe de ser a melhor solução para o Brasil, não tem experiência administrativa, é prepotente e rancorosa. O próprio PT tem sérias restrições ao seu nome. No entanto, não é a candidatura de Dilma que devemos lamentar neste momento que as pesquisas voltam a apontar para uma vitória da candidata do PT também no segundo turno das eleições,. Devemos, sim, lamentar a oposição que nunca soube ser oposição nos últimos oito anos. Mais uma vez faltou inteligência e um nome com ideias inovadoras para o Brasil do futuro. José Serra significa muito mais uma mudança política do que a de conceito de governo. Em recente debate na TV Bandeirantes,  Serra preferiu o confronto pessoal com a candidata petista, quando deveria ter usado o precioso tempo e a audiência do telespectador para apresentar o seu plano de governo. Serra ainda não apresentou a fórmula mágica para aumentar o salário-mínimo para R$ 600,00 e ainda dar um aumento real aos aposentados. Serra também diz que vai manter os programas assistencialistas do Governo Lula, e vai ainda criar o bolsa-saúde. O candidato rtucano é tão populista quanto o atual governante. Serra não é o líder que vai dar uma nova cara ao Brasil. É atrelado ao passado e comprometido com forças políticas conservadoras. Sem um candidato forte do lado governista, a oposição teve a oportunidade de voltar ao poder e a desperdiçou. O erro pode valer mais 12 anos de governo petista.

A crise da falta de espaço

Foto Divulgação
A grande crise do final deste século será a da falta de espaço. A população mundial cresce rapidamente. Se há 30 ou 40 anos, a expectativa de vida do brasileiro era de 65 anos, hoje, com os recursos da medicina, a média de vida pode já ter ultrapassado 70 anos. Com menos gente morrendo, felizmente, sobra menos espaço para nos movimentarmos nas cidades. As alternativas, tanto em países desenvolvidos quanto nos subdesenvolvidos são bastante tímidas diante do agravamento do problema.
No Brasil, a falta de espaço já se observa em cidades de médio porte. A grande questão é onde buscar recursos financeiros para investir na abertura de espaço nas cidades brasileiras, a maioria delas mal planeada. Os investimentos para solucionar o problema do trânsito de São Paulo são elevados. Todavia, os governos precisam começar a planejar um futuro sem espaço nas cidades. 
O Brasil é um caso típico de país de dimensões continentais, porém com uma população mal distribuída. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste, onde estão as maiores oportunidades de emprego, se concentra quase 70% da população do país, na região Norte sobra espaço. Lógico que a ocupação do Norte do Brasil só não se intensificou na metade da década de 1970 para cá porque o governo não fez chegar a infraestrutura necessária de saneamento e acesso viário. Hoje o principal meio de transporte da população menos favorecida do Norte do Brasil é o barco, enquanto os ricos se deslocam de avião. Portanto, enquanto os governos não olharem com mais carinho para a questão da falta de espaço nas médias e grandes cidades brasileiras, a tendência é que a crise se agrave e o remédio curativo poderá ser mais oneroso que o preventivo. 

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E confira a última coluna esportiva Dois Toques deste blogueiro 

Heróis de verdade

Se você ainda não leu, eu recomendo Heróis de Verdade (Editora Gente - 164 pág.), de Roberto Shinyashiki. O livro faz uma análise realista do comportamento da sociedade. O autor compara o passado do “ter” e do “ser” ao do atual momento, o do “parecer ser”. Antes, pessoas incultas e pobres de espírito acumulavam bens para mostrar que eram importantes para a sociedade. Hoje, a realidade mudou. A luta é para “parecer ter ou ser”. Para isso o ser humano se despe de valores morais e passa a viver fantasias.
Tornam-se super-heróis de papel para impressionar o mundo, alcançar fama, dinheiro e virar notícia de impacto. Querem parecer cultos e compram dezenas de livros quando são analfabetos funcionais; querem parecer competentes e  incorporam palavras bonitas e "estrangeirismos" ao seu vocabulário; querem parecer fashion e adotam os mais estranhos modismos, expondo-se ao ridículo. E de tanto parecer ser o máximo, a pessoa acaba se tornando o mínimo. Essa necessidade do ser humano de evoluir socialmente, a qualquer preço, criou uma legião de perdedores, pois a fantasia passa a ser tão real que acredita-se no poder. Tornam-se, no entanto, pessoas frustradas por não alcançarem o topo da pirâmide social, continuam em seu anonimato ou simples cidadãos. 
Os super-heróis de papel estão por todos os lados, querendo produzir novos super-heróis. Os filhos passam horas do dia entre aulas de piano, de dança, ginástica e cursos de idiomas. Perdem a hora de brincar, a infância lhes é roubada.
Quem precisa se sentir importante (e não útil) o tempo todo está criando um grande vazio na sua vida, e só vai descobrir isto quando retornar à realidade. Portanto, não queira ser mais do que você é capaz de ser. Não deixe que as pressões e as cobranças invadam sua vida. É preciso viver, ser útil, produtivo para a sociedade, menos egoísto e mais tolerante com a sua vida. Essa é a regra número um da sobrevivência.

Um palhaço útil em Brasília

O inocente útil palhaço Tiririca, ou o deputado eleito Francisco Everardo da Silva, foi o mais votado do Brasil para a Câmara Federal nas eleições de 3 de outubro. Vira e mexe e a mídia  exibe brasileiros com bolas vermelhas no nariz em sinal de protesto contra o que consideram uma palhaçada os políticos brasileiros. E de tanto achar que Brasília está sob uma enorme lona, o eleitor acabou elegendo um palhaço de verdade para comandar o circo. Um voto de protesto ou o brasileiro gosta mesmo de eleger pessoas exóticas? Foi assim quando o macaco Tião recebeu 400 mil votos para prefeito do Rio de Janeiro em 1988, em plena redemocratização do país. A candidatura de Tião foi lançada de maneira não-oficial pela turma do Casseta & Planeta, que na época fazia um humor bem mais inteligente que o atual. Logicamente que o macaco Tião não chegou a assumir a sua cadeira na Câmara Federal, embora tivesse todo o direito, mas a expressiva votação foi um sinal de que o eleitor depois de duas décadas de ditadura continuava não querendo votar ou não acreditando em seus políticos.
Já na década de 1990 surgiu outro personagem tão exótico quanto o Tião: o hipopótamo Cacareco que também recebeu milhares de votos em São Paulo. Antes que o eleitor brasileiro elegesse toda a fauna brasileira, a urna eletrônica chegou para colocar ordem na casa.  A nova ordem era votar em quem realmente pudesse trabalhar pelo Brasil. E de tanto procurar por este políticos, os brasileiros passaram a apostar em figuras exóticas e celebridades. O estilista aposentado Clodovil Hernandes (já falecido) é o caso mais recente, antes do palhaço Tiririca, de como o eleitor está descontente com a classe política. Em 2006, Clodovil foi o mais votado em São Paulo para a Câmara Federal, com mais de 1,5 milhão de votos.
A fórmula parece que foi copiada em 2010, amparada em uma legislação eleitoral ultrapassada que permite a qualquer cidadão, mesmo um analfabeto político, se candidatar a um cargo eletivo no Brasil. Tiririca fazia as crianças sorrirem, hoje faz a alegria de meia dúzia de políticos de um partido tão esdrúxulo quando a sua candidatura. O PR, partido pelo qual Tiririca se elegeu, leva para Brasília outros três parlamentares que sequer conseguiriam se eleger síndico de prédio.
Em Brasília, não existe nada que possa nos divertir, nem mesmo as estripulias de um palhaço.  Tiririca vai ocupar um espaço que não é seu e embolsar uma boa quantia em dinheiro de impostos pago pelo povo,. Como ele mesmo disse durante sua campanha, pretende descobrir o que o faz um deputado para depois contar aos seus mais de 1,3 milhão de eleitores. O Brasil não precisa, não merece e não deveria ter um analfabeto político na Câmara de Deputados. No entanto, o sistema eleitoral permite que Tiriricas, Tiãos e Cacarecos façam e votem as leis que vão decidir o futuro de uma das maiores nações do mundo.